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    Dicas de Viagem

    Maratonas pelo mundo

    Via  Laura Capanema
    Por Viagem e Turismo

    Você está em Buenos Aires. Se é a sua primeira vez lá, certamente vai passar pelo Obelisco, tirar uma foto em frente à Casa Rosada, ir a Puerto Madero e, se tiver pique, visitar La Bombonera, o famoso estádio do Boca Juniors. Mas que tal passar por todos esses lugares numa tacada só e ainda encontrar gente pelo caminho dando o maior apoio? “Correndo dá para entender melhor as cidades”, diz o apresentador de TV Edu Elias, da nova Fox Sports. Ele precisou de 3h41 para percorrer os 42,1 quilômetros da maratona portenha, em outubro passado. Não foi sua primeira vez lá e também não será a última, agora que ele “entende melhor” a capital argentina. Paris, onde correu em 2010, também é viciante. A sensação gostosa de “descer no pau” a Champs-Élysées e passar por todos os outros postais da capital francesa o fez planejar para breve um retorno à cidade.

    Correr está na moda. As estatísticas são pouco confiáveis, mas fala-se em 4 milhões de praticantes no Brasil. A versão brasileira da revista RUNNER’S WORLD, publicada pela Abril Mídia, que também edita a VT, fez uma pesquisa com quase 900 leitores e descobriu que 69% deles treinam três ou quatro vezes por semana. Metade também disputa de uma a cinco corridas por ano. No exterior, sonham um dia correr – ou já correram – as maratonas de Nova York, Paris, Disney (em Orlando) e Berlim.

    Um atleta está sempre em busca de novos desafios, seja de percurso, seja de tempo, mas há aqueles que não são tão atletas assim e que têm nos cenários das corridas um ótimo pretexto para viajar. Por isso é reconfortante saber que muitas cidades promovem corridas de distâncias curtas (como as 5K, de 5 quilômetros) e médias, além de meias maratonas e maratonas. Casosde Rio e Nova York, que, para Sérgio Xavier Filho, diretor de redação da RUNNER’S, são dois dos circuitos mais bonitos e excitantes do mundo.

    Ao se decidir por uma prova é bom estudar bem o trajeto. Paris e Berlim têm percursos planos, mas, junto com Chicago, Londres e Nova York, são as maratonas mais disputadas do mundo. Há aquelas em meio à natureza, como a do Circulo Polar Ártico, na Groenlândia, e a Big Five, numa reserva particular de caça na África do Sul, com direito a passagens sobre areia e uma escalada de 500 metros. Em janeiro, a Disney, em Orlando, também promove a sua maratona. Começa na Epcot, passa pelo Magic Kingdom, dá a volta no Castelo da Cinderela, segue para o Animal Kingdom e a Disney’s Hollywood Studios para então retornar à Epcot. Quem a completa leva uma medalha do Mickey. Os que preferirem a meia maratona, na véspera, também fazem jus à medalha, mas a do Donald. Terminando as duas provas, levam a do Pateta.

    As corridas de Orlando começam ao nascer do dia, já que os parques não teriam como funcionar com uma manada de atletas entre os brinquedos. Na Muralha da China isso não chega a ser um problema, uma vez que o trecho utilizado dentro da milenar construção é de apenas 6 quilômetros (mas com um bom par de degraus). O engenheiro paulistano Márcio Miracca, que, com a mulher, a administradora Tatiana Vidal, correu a prova de 2009, é fã incondicional. “Todo mundo deveria correr ali uma vez na vida”, diz. Os atletas vão por vilarejos, arrozais e estradinhas. Bom é que na muralha ocorre também uma prova de 5K, sacrifício um pouco mais leve para seus joelhos.

    Há empresas especializadas em levar viajantes para correr mundo afora. A Chamonix, de São Paulo, vendeu em 2011 cerca de 350 pacotes, alguns com features, como city tour e guias em português. O diretor Armando Girello diz que quem compra lá corre “pelo menos” uma meia maratona. Seus best-sellers são Nova York e a corrida de revezamento de Florianópolis, em que uma equipe dá a volta completa na ilha.

    Esporte sério

    O fato de a corrida não exigir grandes investimentos, poder ser feita em praticamente qualquer lugar e ainda por cima atacar o sedentarismo ajuda a transformá-la de atividade eventual em esporte sério. E, quando grupos de amigos, novos ou velhos, se juntam, tanto melhor. Empresas de assessoria esportiva hoje pipocam pelas cidades, criando, customizando e provendo treinos regulares em lugares como o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o Aterro do Flamengo, no Rio.

    Mesmo com tudo o que se disse aqui, há gente que não se vê correndo – e uma das razões é simplesmente não imaginar poder ter algum prazer nisso. Mas a endorfina liberada com o esforço causa, sim, uma sensação muito prazerosa. Com um razoável programa de treinamento, não demora para o iniciante passar a completar distâncias mais longas. “Quem treina três vezes por semana durante três meses, na rua ou em parques, já se condiciona para uma prova de 10K”, diz o preparador físico Renato Dutra, da assessoria Run Fun. Mas é bom ir com calma. “A corrida exige do coração dez vezes mais que a caminhada”, diz o preparador físico Nuno Cobra, que treinou Ayrton Senna. Cobra, também autor do best-seller A Semente da Vitória, sugere que o iniciante faça a prova devagar, mesmo que treine três meses só para isso. “Ainda assim, chegar ao fim já será uma façanha, e o corredor vai viver o imenso prazer da superação”, diz. Se o hábito virar vício, o próximo passo é escolher os destinos de corrida. “Poucas atividades permitem um contato tão próximo com o lugar e seu povo como uma corrida, principalmente quando a gente passa por ruas em que turistas convencionais não passariam”, diz a arquiteta Bruna Sulmonetti, que completou a prova de Buenos Aires em 2011.

    E, se a corrida é pretexto de viagem, pode também ser prazer de última hora. O professor paulistano Diego Lopez contou à VT que foi a Hong Kong visitar um amigo, ficou sabendo lá de uma meia maratona e a disputou. Logo depois, na Tailândia, dobrou a aposta e fez os 42K da prova de Khon Kaen, a 500 quilômetros de Bangcoc. “Corri entre templos e palácios”, diz. Agora ele pauta suas viagens pela beleza do destino e pela oportunidade de colocar as pernas em ação. Lopez é um verdadeiro maraturista, a palavra que designa esse turista focado em maratonas. “Em Montreal, no Canadá, deu até para correr com uma máquina fotográfica na mão.”

    As melhores maratonas

    Por Sérgio Xavier, da RUNNER’S

    1 Rio. Do Recreio ao Flamengo. Mar de um lado, montanha do outro. Lindo.

    2 Paris. Sai do Arco do Triunfo, passa por tudo de bonito da cidade, volta ao Arco. Passeio pela civilização humana.

    3 Big Sur. Corrida difícil pelas subidinhas ao sul de Carmel, na Califórnia. Mas o Pacífico dá aquela forcinha.

    4 Praga. Tem um pouco de estrada, mas a entrada nessa que é uma das cidades mais lindas do mundo compensa tudo.

    5 Volta à Ilha, Floripa. Não é maratona, mas uma corrida para times de oito pessoas. Eis uma rara chance de você poder dizer que conhece realmente toda a Floripa.

    6 Cidade do Cabo. É uma maratona com juros, pois são 56 quilômetros (56K). Mas não é todo o dia que se pode ver dois oceanos, o Atlântico e o Índico.

    7 Sol da Meia-Noite (Tromso), na Noruega. Correr à noite e com sol? Quanto vale isso?

    8 Médoc. Uma corrida um tanto particular, com vinho nos postos de hidratação.

    9 Barcelona. Belíssimo passeio por uma cidade que tem arquitetura, mar, montanhas – e aquelas cervecerias depois...

    10 Nova York. A beleza não está na paisagem, mas na energia dos milhões de torcedores nas ruas.


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